Escrito por Priscilla

Visita gratuita ao Edifício Martinelli

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*Por Rodrigo Checchia Ferrari

A pedido da minha amiga Priscilla, escrevo aqui para contar como foi minha visita ao Edifício Martinelli, um dos prédios históricos da cidade de São Paulo, erguido para ser, na época (década de 20), o então mais alto arranha-céu em toda a América do Sul.

E por que eu decidi fazer esse passeio? Todas as férias eu me prometo o mesmo: conhecer melhor São Paulo. Para quem não mora por aqui deve ser um tanto quanto difícil compreender que esta megalópole seja tão apinhada de possibilidades que mesmo nós, moradores (no meu caso, desde que nasci), não experimentamos nem metade do que a cidade oferece.

Conhecer o Martinelli tem uma simbologia para os paulistanos, pela trajetória daqueles 30 andares (e principalmente para todos que têm família de origem italiana, como o Checchia aí do meu nome não me deixa esconder). Também é um passeio muito conveniente para quem gosta de história. E de graça!

Vamos falar de como chegar lá

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A entrada para as visitas fica na Avenida São João, 35. Atenção, pois há várias entradas para o prédio, mas esta é a oficial da visita ao rooftop (não resisti usar esse termo!).

Como naquele pedaço a avenida é um calçadão, acredito que usar o transporte público seja a melhor opção. A estação São Bento do Metrô fica ali do lado. Eu mesmo fui de ônibus até o Terminal Bandeira e depois andei pelo Vale do Anhangabaú até a Av. São João.

Sim, fica bem no Centro Velho (o Centrão) e é uma região que, infelizmente, não tem mais o glamour de um século atrás. Prepare-se para ver moradores de rua, ambulantes e sujeira. Vale dobrar a atenção e não ficar ostentando joias e aparelhos eletrônicos nas mãos.

Chegando lá, tudo é bem organizado. Uma plaquinha já indicava o lugar da fila. Fiquei surpreso de encontrar várias pessoas na fila em uma segunda-feira de setembro (talvez seja porque não funciona aos finais de semana). Imagino que nas férias, então, deva ter bastante procura. A maioria parecia adolescente (e me deu vergonha de não ter ido lá quando eu mesmo era um).

Os grupos sobem a cada meia hora, dentro desses horários:

Manhãs: das 9h30 às 11h30
Tardes: das 14h00 às 16h00

Liberaram nossa entrada pontualmente às 14h. Entramos em um hall com lustres belíssimos. Senti falta de alguém já ali explicando. Mas ok, eu já tinha visto em uma matéria na televisão que por ali passava a família Martinelli. De lá, entramos em um elevador que leva ao 24º andar e, depois, é preciso subir mais dois lances de escada para chegar ao mirante.

Lá de cima, dá para ver São Paulo em 360°. É impossível não ficar imaginando como devia ser a paisagem na época da construção, sem os prédios obstruindo a visão.

Fazer uma selfie ali é meio complicado em dias de sol, pois fica impossível ver a tela do celular. Notem quantas foram as minhas tentativas para conseguir ‘encaixar’ a Catedral da Sé ao fundo!

selfies

Os rapazes identificados com crachá são os monitores (não usam uniforme, mas esse dia que eu fui ambos estavam de preto). Eles explicam a história da construção (que aconteceu em etapas), um pouco da família Martinelli, da tomada do edifício por desabrigados (quando virou um enorme cortiço vertical) e do processo de restauração. Não vou dar spoilers, mas adianto que é um roteiro digno de seriado – com umas três temporadas, pelo menos. Ô Netflix, anota aí a ideia.

Passados os 30 minutos, eles nos convidam a descer. Mas também não havia muito mais a ser visto. Nos últimos andares (pelas minhas contas, são mais quatro) fica o que era a residência da Família Martinelli, mas não é possível entrar, a não ser que você tenha grana para alugar o espaço. Há cerca de três semanas, foi usado para um casamento pela primeira vez.

Segundo o monitor, as salas não são mobiliadas, pois na época da favela tudo foi depredado e/ou roubado. Apenas o andar usado como salão de festas teve uma restauração que levou em consideração como deveria ser originalmente, mas também não é possível visitá-lo, nem nenhum outro andar, pois hoje abrigam escritórios, repartições públicas etc.

Pontos positivos: É gratuito, oras! Muito bem organizado e os monitores bem instruídos.
Pontos negativos: Apenas o mirante pode ser visitado.
Algo que me chamou a atenção e me mostrou que, realmente, não conheço a cidade onde vivo: praticamente em frente ao edifício, do outro lado do calçadão, há uma tradicional doçaria portuguesa, a Casa Mathilde. Imagine uma vitrine com metros e metros de doces portugueses a um preço ótimo! Parece clichê, mas o mais difícil foi mesmo escolher. Felizmente, o atendente foi simpático e prestativo, explicando o que era cada doce. Acabei por ficar com os tradicionais e provei o pastel de nata e o travesseiro com um chá gelada de maçã com canela. Sentei no mezanino, cuja parede de vidro dá vista justamente para o Martinelli. Vale a pena e já estou pensando em voltar para provar os demais.

Ali por perto ainda temos vários pontos turísticos gratuitos (que não visitei pois não abrem às segundas):
– Catedral da Sé
A igreja em si é linda e entrei nela pela primeira vez. De terça a sábado, é possível visitar a cripta por R$ 7,00
– Pateo do Colégio e Museu Anchieta
– Solar da Marquesa de Santos
– Theatro Municipal
De terça-feira a sexta-feira: às 11h, 15h e 17h
Sábado e feriados: às 11h, 12h, 14h e 15h

Quem é Rodrigo Checchia Ferrari

Rodrigo Checchia Ferrari é paulistano, profissional de comunicação empresarial e fã de cultura pop e comida pop.
Assumidamente nerd, descobriu o gosto por viagens e passeios recentemente e segue buscando viajar e conhecer mais.

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